sábado, 3 de outubro de 2009

Dekretu-Lei ne’ebé Aprova Rejime Aprovizionamentu Espesiál ba Projetu Prioritáriu sira

KOMUNIKADU IMPRENSA
Soru-mutu Konsellu Ministrus loron 30 fulan Setembru tinan 2009 Konsellu Ministrus hala’o Soru-mutu iha loron Kuarta, loron 30 fulan Setembru tinan 2009, iha Sala Soru-mutu Konsellu Ministrus nian, iha Palásiu Governu, iha Dili, no aprova:

1. Dekretu-Lei ne’ebé Aprova Rejime Aprovizionamentu Espesiál ba Projetu Prioritáriu sira

Governu Timor-Leste iha kompromisu atu hadi’a di’ak liután sistema aprovizionamentu ba projetu fíziku hirak ne’ebé la’o dadauk, liuliu iha Distritu no Sub-Distritu sira. Kontinua kompromete mós atu promove dezenvolvimentu ba kapasidade iha setór privadu nasionál, hodi fó ba emprezáriu sira husi distritu kapasidade no responsabilidade atu estabelese ligasaun ho empreza lokál sira (sub-distritu nian sira).

“Pakote Referendu”, inisiativa espesiál ida, mai husi projeitu ki’ik sira ne’ebé lokaliza iha sub-distritu sira, ne’ebé sai hanesan prioridade ba Distritu sira, ne’ebé Governu identifika atu ezekuta husi empreza lokal sira. Ho Dekreitu-Lei ne’e, Governo kria prosedimentu espesiál ida kona-ba husu kotasaun ba projetu hirak ne’ebé identifika ona iha diploma tuir kritériu prioridade no importánsia nian ba dezenvolvimentu nasionál ne’ebé permite Estadu atu oinsá hamosu no fo kbiit ba imprenza ki’ik no mediu Timor nian.

Identifika mós obra prioritária sira iha ámbitu kontrolu ba mota boot no reabilitasaun urjente ba estrada hirak ne’ebé iha kondisaun ladi’ak.

2. Dekretu-Lei kona-ba Ajuda Kustu ba Dezlokasaun Servisu nian iha Interior País Nian

Diploma ida ne’e , ne’ebé tama iha vigór iha loron 1 fulan Janeiru tinan 2010, atu regula fó ajuda kustu nian ba dezlokasaun servisu nian iha Timor-Leste, no atualiza montante ne’ebé refere. Ajuda kustu nian sira ne’e ninia kondisaun no finalidade eskluziva mak, fó kompensasaun ida ba despeza sira ho alojamentu, alimentasaun no sira seluk,ne’ebé mosu tanba dezlokasaun sira ne’ebé la’ós iha servisu fatin baibain, ba servisu estadu nian.

3. Lisensiamentu no akreditasaun ba Instituisaun Ensino Superiór sira

Hafoin rona tiha relatóriu husi Ministériu Edukasaun no nia konkluzaun sira, Konselllu Ministrus hakotu atu haree filafali rezolusaun kona-ba simu estudante foun sira husi parte instituisaun ensino superiór sira ne’ebé la prienxe kondisaun hirak ne’ebé ezije atu bele hetan akreditasaun. Nune’e, UNDIL (Universidade Dili) no UNITAL (Universidade Oriental) kontinua ho prosesu akadémiku, inklui simu estudante foun.

Maske nune’e, períodu teste nian, ba tinan ida, mantein nafatin tuir desizaun ne’ebé iha ona, hanesan mós apoiu hirak ne’ebé bele iha husi parte Governu, liu husi Gabinete Asesoria Primeiru Ministru ba Sosiedade Sivíl ba instituisaun rua ne’e, atu instituisaun rua ne’e bele alkansa ezijénsia mínima hirak ne’ebé mak presiza ba nia revalidasaun no akreditasaun iha tinan oin.

Mantein mós, desizaun ne’ebé hanesan kona-ba AKAKOM (Academia Computer Klik) atu bele halo koordenasaun ho Sekretaria Estadu Formasaun Profisionál no Empregu no ajusta kursu sira ba nivel formasaun profisionál, la ses husi kritériu no parámetru hirak ne’ebé Sekretaria Estadu Formasaun Profisionál no Empregu estabelese. Atu halo ajustamentu hirak ne’e, AKAKOM bele mós, hetan asesu kona-ba apoiu husi governo, ne’ebé Gabinete Asesoria Primeiru Ministru nian ba Sosiedade Sivíl disponibiliza tiha ona.

4. Tulun finanseira ba Filipina tanba Inundasaun

Hodi hatán ba apelu Governu Filipinu nian ne’ebé fó sai ba komunidade internasionál atu haree kona-ba katástrofe ne’ebé país ne’e hetan dezde sábadu dadeersan, Governo Repúblika Demokrátika Timor-Leste, nu’udar solidariedade ba povu no Governu Filipina, hakotu atu fó tulun finanseiru hodi bele ajuda país ne’e atu rezolve mota boot ne’ebé aat liu iha tinan 40 ikus ne’e. Konsellu Ministrus analiza mós:

1 .Diskusaun kona-ba Prosedimentu Alfandegáriu

Prosesu implementasaun ba projetu investimentu nian sira, ne’ebé iha relasaun ho atrazu hirak ne’ebé servisu alfándega nian enfrenta, liuliu ida ne’ebé temi kona-ba projetu investimentu estranjeiru.

2. Rezolusaun kona-ba Kriasaun Parlamentu Juventude / FOINSA’E

Liu metade husi populasaun Timor-Leste iha idade menus husi tinan 30. Parte importante ida husi sosiedade ne’ebé hatudu ona katak sira fundamentál ba dezenvolvimentu País nian, no merese hetan atensaun espesiál iha Politika Nasionál ba Juventude Timor-Leste nian (PNJ) hodi dudu foin sa’e sira atu ezerse sira nia direitu no devér ne’ebé la ses husi sira nu’udar sidadaun ho forma ne’ebé lolós no responsável. Ida ne’e hanesan baze fundamentál ida ba dezenvolvimentu sustentável.

Tanba konsidera katak papél foin sa’e sira nian importante ba futuru Nasaun nian, Estadu Timor-Leste, liu husi titulár sira órgaun soberania nian, hakarak kria espasu ida ba aprendizajen no prátika demokrasia nian ho objetivu prinsipál mak atu sensibiliza no inisia foin sa’e sira iha partisipasaun demokrátika no sívika, hodi estimula sira atu ezerse sira nia direitu no devér polítiku iha futuru, liu husi identifikasaun no kompriensaun ba problema hirak sosiedade timor nian.
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Antonio Ramos da Silva
Assessor da Comunicacao do PM Kay Rala Xanana Gusmao
Contactos: Email: gabinetemediapm@ gmail.com ou a.ramos@gpm. gov.tl Telefs.: +6707230087/3310143

Decreto-Lei que Aprova o Regime de Aprovisionamento Especial para Projectos Prioritários

COMUNICADO DE IMPRENSA

Reunião do Conselho de Ministros de 30 de Setembro de 2009
O Conselho de Ministros reuniu-se esta Quarta-feira, dia 30 de Setembro de 2009, na Sala de Reuniões do Conselho de Min istros, no Palácio do Governo, em Díli, e aprovou:

1. Decreto-Lei que Aprova o Regime de Aprovisionamento Especial para Projectos Prioritários

O Governo de Timor-Leste está empenhado na melhoria do sistema de aprovisionamento de projectos físicos em curso, especialmente nos distritos e sub-distritos. Continua também empenhado em promover o desenvolvimento da capacidade do sector privado nacional, dando aos empresários oriundos dos distritos a capacidade e responsabilidade de estabelecer a ligação com as empresas locais (dos subdistritos).

O “Pacote Referendo”, uma iniciativa especial, é constituído por pequenos projectos localizados nos subdistritos, prioritários para os distritos, identificados pelo Governo e a serem executados por empresas locais. Com este Decreto-Lei, o Governo cria um procedimento especial de solicitação de cotações para os projectos identificados no diploma baseado em critérios de prioridade e importância para o desenvolvimento nacional que permita ao Estado promover o aparecimento e fortalecimento do pequeno e médio tecido empresarial timorense. Foram, também identificadas obras prioritárias no âmbito do controlo das cheias e de reabilitação urgente de troços de estrada em muito más condições.

2. Decreto-Lei sobre Ajudas de Custo por Deslocações em Serviço no Interior do País

Este diploma, que entra em vigor no dia 1 de Janeiro de 2010, vem regular a atribuição de ajudas de custo por deslocações em ser viço em Timor-Leste, e actualizar o respectivo montante. Estas ajudas de custo têm como pressuposto e finalidade exclusiva, a atribuição de uma compensação pelas despesas com alojamento, alimentação e outros, associados com a est adia, em consequência de deslocações, for a do local normal de trabalho, ao serviço do Estado.

3. Licenciamento e acreditação de Instituições de Ensino Superior

Após ouvido o relatório do Ministério da Educação e suas conclusões, o Conselho de Ministros decidiu rever a resolução sobre a admissão de novos estudantes por parte das instituições de ensino superior que não reuniam as condições exigidas para a sua acreditação. Assim, a UNDIL (Universidade de Díli) e a UNITAL (Universidade Oriental) continuam com o processo académico, incluindo a admissão de novos estudantes. No entanto, o período de teste, de um ano, mantém-se conforme já decidido, bem como os apoios possíveis por parte do governo, através do Gabinete de Assessoria do Primeiro Ministro para a Sociedade Civil a ambas as instituições, de forma a que estas consigam alcançar as exigências mínimas necessárias para a sua revalidação e acreditação no próximo ano.

Mantém-se, igualmente, a decisão sobre a AKAKOM (Academia Computer Klik) que deverá coordenar-se com a Secretaria de Estado da Formação Profissional e Emprego e ajustar os cursos ao nível da formação profissional, dentro dos critérios e parâmetros estipulados pela Secretaria de Estado da Formação Profissional e Emprego. Para fazer estes ajustamentos, a AKAKOM poderá, igualmente, aceder aos apoios do governo, disponibilizados pelo Gabinete de Assessoria do Primeiro Ministro para a Sociedade Civil.

4. Ajuda financeira às Filipinas devido às Inundações

Respondendo ao apelo lançado pelo Governo Filipino à comunidade internacional para lidar com a catástrofe que o país vive, desde Sábado de manhã, o Governo da República Democrática de Timor- Leste, em solidariedade para com o povo e Governo das Filipinas, decidiu atribuir apoio financeiro de forma a ajudar aquele país a ultrapassar uma das piores cheias dos últimos 40 anos.

O Conselho de Ministros analisou, ainda:

1 .Discussão Sobre o Procedimento Alfandegário O processo de implementação de projectos de investimento, relacionado com demoras verificadas nas alfandegas, especialmente no que respeita ao investimento estrangeiro.

2. Resolução sobre a Criação do Parlamento da Juventude / FOINSA’E

Mais de metade da população de Timor-Leste tem menos de 30 anos. Uma importante parcela da sociedade que tem revelado ser fundamental para o desenvolvimento do País, e que mereceu especial enfoque na Política Nacional da Juventude de Timor-Leste (PNJ) levando a incentivar os jovens a exercer os direitos e deveres que lhes são inerentes como cidadãos de forma esclarecida e responsável.

Esta é uma base fundamental para o desenvolvimento suste ntável.

Considerando que o papel dos jovens é essencial para o futuro do País, o Estado de Timor-Leste, através dos titulares dos órgãos de soberania, pretende criar um espaço de aprendizagem e prática da democracia com o objectivo principal de sensibilizar e iniciar os jovens na participação democrática e cívica, estimulando-os para o exercício dos seus futuros direitos e deveres políticos, através da identificação e compreensão dos problemas da sociedade ti morense.
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Antonio Ramos da Silva
Assessor da Comunicacao do PM Kay Rala Xanana Gusmao
Contactos: Email: gabinetemediapm@ gmail.com ou a.ramos@gpm. gov.tl Telefs.: +6707230087/3310143

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A Assitência da Engenharia Mlitar na Construção de Projectos Nacionais, Desastres Naturais e na Reconstrução Pós-conflito - A Situação em Timor-Leste

ALOCUÇÃO DE SUA EXCELÊNCIA O PRIMEIRO-MINISTRO E MINISTRO DA DEFESA E DA SEGURANÇA

KAY RALA XANANA GUSMÃO

POR OCASIÃO DA ABERTURA DO SEMINÁRIO “A ASSISTÊNCIA DA ENGENHARIA MILITAR NA CONSTRUÇÃO DE PROJECTOS NACIONAIS, DESASTRES NATURAIS E NA RECONSTRUÇÃO PÓS-CONFLITO – A SITUAÇÃO EM TIMOR-LESTE

25 de Setembro de 2009
Hotel Timor, Díli

Exmos. Senhores Membros do Governo
Distintos Deputados
Exmo. Senhor Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas
Exmos. Representantes do Corpo Diplomático
Membros das Forças Armadas, Polícias e Protecção Civil,
Distintos convidados e oradores internacionais
Senhoras e senhores,

Em primeiro lugar não posso deixar de dirigir umas palavras de apreço aos organizadores deste Seminário, particularmente a todos quantos trabalham na Secretaria de Estado da Defesa, que se empenharam decisivamente para o sucesso desta iniciativa e, claro, ao Secretário de Estado da Defesa, Dr. Júlio Tomás Pinto.

Este primeiro Seminário sobre a assistência militar na construção de projectos nacionais, desastres naturais e na reconstrução pós-conflito em Timor-Leste, não poderia ser um tema mais actual e reflecte o empenho do Governo em criar um ambiente de segurança e estabilidade, de forma transversal às várias instituições do Estado e contando, naturalmente, com os nossos parceiros nacionais e internacionais.

Tendo em conta que um dos objectivos deste seminário é compreender o papel fundamental das Forças Armadas na construção da Nação e no desenvolvimento das comunidades, gostaria de destacar que as Forças Armadas constituem um dos pilares fundamentais do nosso Estado e podem, muito justamente, considerarem-se o embrião da Pátria Timorense.

Neste período em que celebramos o 10º Aniversário da nossa liberdade, os timorenses, tanto as actuais gerações como as vindouras, deverão estar eternamente gratos aos homens e mulheres que serviram as FALINTIL durante a Resistência e de cujo sacrifício fomos os beneficiados. Sem eles e sem elas não estaríamos agora aqui.

Senhoras e senhores,

Sabemos as vicissitudes por que passaram as F-FDTL desde que os timorenses, numa aspiração legítima de quem é condutor dos seus destinos, optaram pela manutenção de umas Forças Armadas no novo Estado Independente. Recordamos ainda, na memória, as dificuldades de impor a nossa vontade a todos quantos entendiam desnecessária a existência de uma força vocacionada para a defesa.

Vivemos num mundo em mudança constante. Nas últimas décadas, assistimos a um emergir de novas ameaças à paz e à estabilidade mundial, as chamadas ameaças não convencionais, que podem por em causa a Soberania de um Estado independente.

Flagrante exemplo desta nova realidade constitue o terrorismo internacional, o qual pode ocorrer em qualquer parte do mundo, não havendo nenhum País que se possa considerar a salvo dessa calamidade.

Por outro lado, também as alterações climáticas que se têm registado no Planeta vêm provocando sucessivas catástrofes, pondo seriamente em causa a segurança, e a própria sobrevivência, das indefesas populações.

Vejamos os casos recentes, experienciados na região em que estamos inseridos, de terríveis desastres naturais: desde os terramotos na China e na Indonésia, as cheias em Myanmar e os incêndios na Austrália, só para referir alguns exemplos.

Também Timor-Leste está vulnerável à ocorrência de desastres naturais, sendo susceptível à ocorrência de longas épocas de seca, de ciclones, de terramotos, cheias e tsunamis. A agravante, no nosso caso, é que não temos sistemas tecnológicos de alerta eficazes e não temos ainda experiência, felizmente, para lidar com este tipo de calamidades.

Senhoras e senhores,

É também à luz desta realidade actual que temos de estudar um novo conceito de emprego das Forças Armadas. Para responder a este desafio foi criado, na Secretaria de Estado da Defesa, o Grupo do Estudo 20/20.

Todas as iniciativas que possam contribuir para este estudo são, naturalmente, bem-vindas. Daí a importância deste seminário, particularmente por se abordar a possibilidade de emprego das Forças Armadas em áreas que vão muito para além da defesa territorial da Nação, no sentido estrito do termo.

O conceito de Segurança Nacional que tem vindo a ser revisto pela generalidade dos países vanguarda em questões de doutrina militar, aponta para uma redução cada vez mais acentuada da fronteira entre a defesa nacional e a segurança interna. Esta fronteira tende a esbater-se, desenvolvendo-se agora estas actividades em complementaridade, em que uma não pode ser dissociada da outra.

Timor-Leste passou, recentemente, por uma experiência que veio comprovar a eficácia da aplicação deste novo conceito: o emprego conjunto das F-FDTL e da PNTL, como resposta aos atentados ocorridos em Fevereiro do ano transacto.

Com missões distintas atribuídas, mas exercidas de forma concertada, ambas as Instituições lograram obter um objectivo comum, garantindo a segurança das populações e dos seus bens. Sozinha, provavelmente nenhuma delas teria obtido os mesmos resultados com o mesmo sucesso.

Os ensinamentos adquiridos através daquela operação estiveram na génese da elaboração de uma Lei de Segurança Nacional. Procedemos igualmente à revisão da Lei de Segurança Interna e à feitura da Lei de Defesa Nacional. Estamos a criar um Sistema Integrado de Segurança Nacional, em que todas as entidades com responsabilidades na área do sector da segurança, visto no seu conceito mais lato, se enquadram e articulam.

O Sistema Integrado de Segurança Nacional assenta, fundamentalmente, num vértice constituído pela Defesa, Segurança Interna e Protecção Civil.

No sentido de fazer face, com sucesso, às ameaças que possam pôr em causa a normal vivência da sociedade timorense, é imperioso que as Forças Armadas, a Polícia e a Protecção Civil cooperem eficazmente entre si para a obtenção do mesmo fim último: garantir a independência e soberania do poder político, a unidade e integridade do território nacional e a liberdade e segurança das populações.

As F-FDTL têm, portanto, de estar preparadas para o exercício das novas missões contempladas na Lei de Segurança Nacional, particularmente para aquelas que visam socorrer as populações afectadas por desastres ou calamidades públicas.

O auxílio militar na ajuda humanitária e na gestão de emergências, torna-se cada vez mais fundamental e requer uma activa coordenação e colaboração com outras autoridades do Estado tais como a polícia e a protecção civil, mas também com as entidades responsáveis pelos transportes, infra-estruturas, serviços de saúde, solidariedade e assistência social.

Além disso, o envolvimento das entidades não governamentais e o apoio dos parceiros de desenvolvimento, com o seu capital de experiência adquirido, são fundamentais neste processo de aprendizagem para melhorar as nossas capacidades, a nossa organização e coordenação de mecanismos.

Senhoras e Senhores,

O recurso à Engenharia Militar é absolutamente inovador para as nossas Forças de Defesa e que urge explorar. As F-FDTL podem, e devem, desempenhar um papel preponderante numa área tão carenciada, como é a da construção ou reconstrução de infra-estruturas indispensáveis para o desenvolvimento económico do País e, consequentemente, para a melhoria das condições de vida do nosso Povo.

Faço votos para que através deste seminário, seja possível definir com clareza as formas de emprego das Forças Armadas, e em especial da sua Engenharia Militar, em missões no âmbito da Protecção Civil e Ajuda Humanitária.

Vamos todos trabalhar em conjunto para que a Engenharia Militar possa ser, a breve prazo, não uma mera miragem, mas sim uma verdadeira realidade.

Muito obrigado.

Kay Rala Xanana Gusmão
25 de Setembro de 2009

Antonio Ramos da Silva
Assessor da Comunicacao do PM Kay Rala Xanana Gusmao
Contactos: Email: gabinetemediapm@ gmail.com ou a.ramos@gpm. gov.tl Telefs.: +6707230087/3310143

Asitensia Engenharia Militar ba Konstrusaun Projetus Nasionais, Dezatres Naturais no Rekonstrusaun Pos-koflitus - Situasaun iha Timor-Leste

ALOKUSAUN SUA EXELÊNSIA PRIMEIRU-MINISTRU NO MINISTRU DEFEZA I SEGURANSA

KAY RALA XANANA GUSMÃO

IHA OKAZIAUN ABERTURA SEMINÁRIU “ASISTÊNSIA ENGENHARIA MILITÁR BA KONSTRUSAUN PROJETUS NASIONAIS, DEZASTRES NATURAIS NO REKONSTRUSAUN PÓS-KONFLITU – SITUASAUN IHA TIMÓR-LESTE

25 Setembru 2009
Hotel Timor, Díli

Exmus. Senhores Membrus Governu
Distintus Deputadus
Exmu. Senhór Xefe Estadu Maiór Jenerál Forças Armadas
Exmus. Reprezentantes Korpu Diplomátiku
Membrus Forsas Armadas, Polísias no Protesaun Sivíl,
Distintus konvidadus no oradores internasionais
Senhoras no senhores,

Uluk nana’in ha’u hakarak ható liafuan apresu ba organizadores Semináriu ida ne’e nian, liuliu ba maluk sira hotu ne’ebé haknaar iha Sekretaria Estadu Defeza, ne’ebé servisu maka’as tebes atu inisiativa ida ne’e bele hetan susesu i, klaru, ba Sekretáriu Estadu Defeza, Dr. Júlio Tomás Pinto.

Semináriu ne’ebé foin primeira vez halo, kona-ba asistênsia militár ba konstrusaun projetus nasionais, dezastres naturais no rekonstrusaun pós-konflitu iha Timór-Leste, ne’e tema ida ke atuál tebes no reflete empenhu Governu nian atu kria ambiente seguransa no estabilidade, ho forma transversál ba instituisoens Estadu nian tomak i, naturalmente, konta mós ho ita nia parseirus nasionais no internasionais sira nia tulun.

Tanba objetivu ida hotu husi semináriu ida ne’e mak oinsá bele buka kompreende papél fundamentál Forsas Armadas nian iha konstrusaun Nasaun no iha dezenvolvimentu komunidades, mak ha’u hakarak destaka katak Forsas Armadas hanesan pilár fundamentál ida hotu ita nia Estadu nian i bele dehan mós katak tuir loloos sira mak embriaun ka dubun Pátria timorense.

Iha períodu ida ne’ebé ita foin selebra 10º Aniversáriu ba ita nia liberdade, timór-oan tomak, tantu jerasaun atuál no aban-bainrua nian, hotu-hotu tenke agradese wa’in tebes ba mane ka feto sira hotu ne’ebé serve iha FALINTIL durante tempu Rezistênsia, tanba ho sira nia sakrifísius mak ita bele sai benefisiadus. Karik sira la iha mak ita sei la mai hamutuk iha ne’e.

Senhoras no senhores,

Ita hotu hatene visisitudes ka difikuldades oioin ne’ebé F-FDTL hasoru dezdeke timór-oan tomak, interpreta didi’ak aspirasoens lejítimas husi partes ne’ebé kaer destinu povu ida ne’e nian, deside duni atu mantein nafatin Forsas Armadas Estadu Independente foun ida ne’e nian. Ita hanoin hikas fali difikuldades boot ne’ebé uluk ita hasoru atu bele impoin ita nia vontade ba ema sira ne’ebé hanoin katak ita nia Nasaun la presiza harí forsa defeza.

Ita moris iha mundu ida ke muda beibeik. Iha tinan sanulu ka ruanulu resin laran, ita asiste ameasas foun ba páz no estabilidade mundiál ne’ebé tekitekir mosu mai, temi naran ameasas naun-konvensionais, ne’ebé bele tau iha perigu Estadu independente ida nia Soberania.

Ezemplu flagrante ka loloos nian kona-ba realidade foun ida ne’e mak terrorizmu internasionál, ne’ebé bele akontese iha kualkér parte iha mundu, i la iha País ida mak bele sés-an husi kalamidade ka dezastre boot ida ne’e.

Hosi parte seluk, alterasoens klimátikas ne’ebé rejista daudaun iha ita nia Planeta provoka mós katástrofes ka dezastres barak, sai ameasa boot ba seguransa no ba ita hotu nia moris, liu-liu ba populasoens indefezas ka kbiit laek sira.

Mai ita haré kazus foun balu ne’ebé foin mosu iha ita nia rejiaun, kona-ba dezastres naturais ne’ebé boot tebes: hahú hosi rai-nakdoko iha Xina no Indonézia, udan boot no bee sa’e maka’as iha Myanmar to’o ahi hán-rai iha Austrália, ne’e hanesan ezemplus balu de’it.

Timór-Leste mós vulnerável atu hetan dezastres naturais, hanesan tempu bailoron ne’ebé naruk tebes, anin boot ne’ebé sobu sasán hotu, rai-nakdoko, udan boot no bee sa’e maka’as i tsunamis. Aat liu mak hanesan iha ita nia kazu, ita la iha sistemas teknolójikus hodi alerta ka aviza ema i, sorti boot, tanba ita seidauk iha experiênsia, katak seidauk hasoru kalamidades boot hanesan ne’e.

Senhoras no senhores,

Tanba realidade atuál hanesan ne’e mak ita tenke estuda konseitu foun ida atu emprega ka uza Forsas Armadas. Atu bele hatán hasoru dezafiu ida ne’e maka harí ona iha Sekretaria Estadu Defeza, Grupu Estudu 20/20.

4 Inisiativas tomak ne’ebé bele kontribui ba estudu ida ne’e, naturalmente, ami simu ho liman rua. Tanba ne’e mak semináriu ida ne’e importante tebes, liu-liu tanba atu koalia no tetu didi’ak kona-ba posibilidades atu emprega Forsas Armadas iha áreas ne’ebé la halo parte defeza territoriál Nasaun ida ne’e nian, tuir nia kontextu rasik.

Konseitu Seguransa Nasionál ne’ebé Paízes avansadus barak mak komesa halo fali ona revizaun, relasiona ho kestoens doutrina militár, hatudu katak fronteira ka diferensa entre defeza nasionál ho seguransa interna ladún kle’an ona. Fronteira ne’e kloot ba daudaun, atividades ne’ebé dezenvolve iha área rua ne’e nian atu kompleta malu, tanba labele haketak duni malu.

Timór-Leste foin daudaun ne’e, hetan experiênsia ida ke bele komprova efikásia aplikasaun konseitu foun ida ne’e nian: tau hamutuk forsas F-FDTL no PNTL, hanesan resposta hasoru atentadus ne’ebé halo iha fulan Fevereiru tinan liubá.

Maski idaidak ho nia misaun ne’ebé la hanesan, maibé tanba hala’o hamutuk ho forma konsertada, Insituisones rua ne’e konsege atinje obetivu komún, hodi garante seguransa ba populasoens no ba sira nia rikusoin tomak. Karik la’o mesamesak, mak sira sei la hetan rezultadus ne’ebé hanesan, ho susesu boot.

Buat ne’ebé sira aprende liuhusi operasaun ida ne’ebá mak loke dalan ba elaborasaun Lei kona-ba Seguransa Nasionál no Lei kona-ba Defeza Nasionál. Ita agora kria daudauk Sistema Integradu ba Seguransa Nasionál, ne’ebé entidades hotu-hotu ho responsabilidades iha área setór seguransa, haré tuir konseitu ne’ebé kle’an liu, enkuadara no artikula malu hamutuk. Sistema Integradu ba Seguransa Nasionál hatuur, liu-liu iha vértise ka pontu aas ida ne’ebé kompostu husi Defeza, Seguransa Interna no Protesaun Sivíl.

Atu bele hasoru ho susesu ameasas ne’ebé bele tau iha perigu sosiedade timorense tomak nia vivênsia ka moris loroloron nian, importante katak Forsas Armadas, Polísia no Protesaun Sivíl servisu hamutuk hodi bele atinje fin ka objetivu ida de’it mak: atu garante independênsia no soberania podér polítiku, unidade no integridade territóriu nasionál i liberdade ho seguransa populasoens tomak nian.

F-FDTL tenke prepara-an atu hala’o misoens foun ne’ebé kontempla iha Lei Seguransa Nasionál, liu-liu kona-ba atu fó tulun ba populasoens ne’ebé hetan dezastres ka kalamidades públikas.

Auxíliu militár relasiona ho ajuda umanitária no jestaun emerjênsias, oras ne’e sai importante liután ona, ne’ebé presiza iha koordenasaun no kolaborasaun ativa ho autoridades Estadu sira seluk hanesan polísia i protesaun sivíl, no mós ho entidades ne’ebé responsáveis ba transportes, infra-estruturas, servisus saúde, solidariedade i asistênsia sosiál.

Aleinde ida ne’e, envolvimentu entidades naun governamentais no apoiu parseirus dezenvolvimentu, hamutuk ho kapitál experiênsia ne’ebé hetan ona, fundamentais tebes ba prosesu aprendizajen atu bele hadi’a ita nia kapasidades, ita nia organizasaun i koordenasaun mekanizmus.

Senhoras no Senhores,

Rekursu ba Engenharia Militár buat ida ke inovadór tebes ba ita nia Forsas Armadas, tanba ne’e, presiza explora lailais. F-FDTL sira mós bele, no tenke dezempenha papél preponderante ka boot liu iha área ne’ebé ita sei kuran buat barak, hanesan iha konstrusaun ka rekonstrusaun infra-estruturas, tanba importante tebes ba dezenvolvimentu ekonómiku País ne’e nian, i, konsekuentemente, atu bele hadi’a ita nia Povu tomak nia kondisoens moris. Ha’u hein katak liuhusi semináriu ida ne’e, bele define klaru liután formas oinsá atu emprega Forsas Armadas, espesialmente nia Engenharia Militár, iha misoens ne’ebé tuir âmbitu Protesaun Sivíl no Ajuda Umanitária.

Mai ita servisu hamutuk atu nune’e iha tempu badak, ita nia Engenharia Militar, husi “mehi” bele sai tebes realidade.

Obrigadu barak.

Kay Rala Xanana Gusmão
25 Setembru 2009

Antonio Ramos da Silva
Assessor da Comunicacao do PM Kay Rala Xanana Gusmao
Contactos: Email: gabinetemediapm@ gmail.com ou a.ramos@gpm. gov.tl Telefs.: +6707230087/3310143

Military Engineering Assistence to Nacional Projects, Natural Disasters and Post-Conflict Rebuilding - the Situation in Timor-Leste

SECURITY
KAY RALA XANANA GUSMÃO
ON THE OCCASION OF THE OPENING OF THE SEMINAR

MILITARY ENGINEERING ASSISTANCE TO NATIONAL PROJECTS, NATURAL DISASTERS AND POST-CONFLICT REBUILDING – THE SITUATION IN TIMOR-LESTE
25 September 2009
Hotel Timor, Dili

Honourable Members of Government
Honourable Members of Parliament
Your Excellency the Chief of the Defence Force
Honourable Representatives of the Diplomatic Corps

Members of the Armed Forces, Police and Civil Protection
Honourable guests and international speakers
Ladies and gentlemen,

I would like first to say a few words to thank the organisers of this Seminar, particularly those in the Secretariat of State for Defence who have worked so hard to make this initiative a success, and also of course the Secretary of State for Defence, Mr Júlio Tomás Pinto.

This first Seminar on military assistance to national projects, natural disasters and postconflict rebuilding in Timor-Leste could not be more timely, and reflects a commitment by the Government to provide an environment of security and stability through the hard work of State agencies, and with the assistance of our international partners.

Taking into account that one of the goals of this seminar is to understand the vital role of the Armed Forces in nation building and community development, I would like to highlight that the Armed Forces are one of the cornerstones of our State, and can in all fairness be considered the origin of the Timorese Fatherland.

In this period when we celebrate the 10th anniversary of our freedom, the Timorese citizens of today and of tomorrow should be eternally grateful to the men and women who served in FALINTIL during the Resistance. Without their sacrifice, we would not be standing here today.

Ladies and gentlemen,

We are aware of the problems that the F-FDTL has faced since the Timorese People, in a legitimate expression of those who enjoy self-determination, chose to continue having Armed Forces in the new Independent State. We still recall the difficulty we had in ensuring that our decision prevailed given all those who argued that having a defence force was unnecessary.

And now we live in a world of constant change. In the last few decades, we have seen new threats to world peace and stability, including the so-called ‘non-conventional’ threats, which can jeopardize even the Sovereignty of an independent State.

A clear example of this new reality is international terrorism, which can strike in any part of the world. No country can consider itself safe from this threat.

In addition to this, climate change is causing natural disasters, which endanger the safety and the very survival of populations.

Looking at recent events that have caused such suffering in our region we have examples of terrible natural disasters, including earthquakes in China and Indonesia, floods in Myanmar and fires in Australia.

Timor-Leste is also vulnerable to the occurrence of natural disasters, being susceptible to long periods of draught, cyclones, earthquakes, floods and tsunamis. To make matters worse, we lack effective technological warning systems to alert us to potential disasters. And while so far we have been fortunate not to have experienced such a disaster, this also means that we do not have experience in managing such events.

Ladies and gentlemen,

In view of the reality of the threats we now face, we must consider new roles for the Armed Forces. To respond to this challenge, we established the 2020 Task Force under the Secretariat of State for Defence.

Any initiative that can contribute to the thinking and dialogue in this area is of course welcome. Hence the importance of this seminar, as it discusses the possibility of using the Armed Forces in areas that go well beyond the territorial defence of the Nation in the strict sense of the term.

The doctrines for the protection of National Sovereignty are being recast by many countries, as the forefront of military thinking moves towards an increasing understanding of the relationship between national defence and internal security. As the line between them blurs,

activities must now be carried out in a complementary manner, and one activity cannot be unrelated to another.

Recently, Timor-Leste experienced events that proved the effectiveness of applying these new doctrines: the joint operation of the F-FDTL and the PNTL in responding to the attacks that took place in February 2008.

Having separate but concerted missions, both Institutions achieved the common goal of restoring institutional order and ensuring the basic safety and security of the population. It is likely that had they acted alone, they would have been unable to achieve the same results with such success.

The learning from that operation helped inform the drafting of a new National Security Law. And as well as this Law, and importantly, we have also revised the Internal Security Law and drafted the National Defence Law.

We are creating a National Security Integrated System that is currently taking its first steps and that encompasses and defines the role of all entities with responsibilities in the sector of security.

The National Security Integrated System is based on a foundation consisting of Defence, Internal Security and Civil Protection. In order to successfully respond to any threats that may jeopardize the daily existence of Timorese society, it is imperative that the Armed Forces, the Police and Civil Protection cooperate effectively towards the same goal: to ensure the independence and sovereignty of the State, the unity and integrity of the national territory and the freedom and safety of the People.

Therefore, the F-FDTL must be prepared to perform their new mission as mandated in the National Security Law, including those roles that assist populations when they are affected by disasters or public calamities.

Military assistance to humanitarian aid and emergency management is becoming increasingly important and requires active coordination and collaboration with other State authorities, such as the police and civil protection, as well as entities responsible for transportation, infrastructure, health services and social assistance.

In addition to this, involvement by non-governmental bodies and support by development partners, with their important expertise, is essential in this learning process so that we may improve our skills, our organisation and our coordination mechanisms.

Ladies and gentlemen,

The use of Military Engineering is completely innovative to our Defence Forces, and something that we must explore. The F-FDTL can, and should, play a critical role in an area as important as the construction or reconstruction of infrastructure that is indispensable to the economic development of the Country, and consequently to the living conditions of our People.

I trust that this seminar will help to define the matters in which the Armed Forces, and particularly Military Engineering, may be used in civil protection and humanitarian assistance missions.

Let us all work together so that Military Engineering may soon be a reality, instead of a simple mirage.

Thank you very much.

Kay Rala Xanana Gusmão
25 September 2009
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Antonio Ramos da Silva
Assessor da Comunicacao do PM Kay Rala Xanana Gusmao
Contactos: Email: gabinetemediapm@ gmail.com ou a.ramos@gpm. gov.tl Telefs.: +6707230087/3310143

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Licenciamento e Acreditação de Instituições de Ensino Superior em Timor-Leste

COMUNICADO DE IMPRENSA
Licenciamento e Acreditação de Instituições de Ensino Superior em Timor-Leste
24 de Setembro de 2009
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Com o intuito de estabilizar e garantir a qualidade do ensino superior em Timor-Leste, o Ministério da Educação deu início a um processo de Licenciamento e Acreditação, que foi conduzido em 2008 e 2009 por uma equipa de avaliação exter na internacional de peritos.

O resultado desta avaliação desenvolvida em 2008, a 14 instituições que se candidataram ao processo, atribuiu acreditação a sete instituições de ensino superior, rejeitou a acreditação a duas, e colocou à experiência cinco instituições:

Destas cinco instituições colocadas à experiência, duas foram acreditadas e três tiveram a sua acreditação rejeitada na avaliação de Agosto deste ano, sendo elas:

Universidade acreditada - Universidade de Paz (UNPAZ)
Academia acreditada - Instituto Profissional de Canossa (IPC)
Universidades rejeitadas - Universidade de Díli (UNDIL) e Universidade Oriental (UNITAL)
Academia rejeitada - Academia Computer Klik (AKAKOM)

Para realizar as avaliações, foi nomeada uma equipa de avaliação internacional proveniente de vários países, pertencendo, a maior parte, à Rede de Qualidade Ásia Pacífico (RQAP), nomeadamente:

Dra. Marjorie Peace Lenn,
Presidente, Centro de Garantia de Qualidade no Ensino Internacional, EUA (Líder da Equipa)

Dr. António MacDowell de Figueiredo,
Universidade Federal do Rio de Janeiro e antigo Secretário Nacional do Ensino Super ior do Brasil, Ministério da Educação

Dr. Adil Basuki Ahza,
Secretário Executivo da Instituição Nacional de Acreditação do Ensino Superior, Indonésia

Dr. Manuel Corpus,
Director Executivo, Instituição de Acreditação de Faculdades e Universidades das Filipinas

Dr. John Harre,
Autoridade de Qualificação de Institutos Tecnológicos e Politécnicos da Nova Zelândia

Dr. Haji Hazman Shah Vijayan Abdulllah,
Faculdade de Estudos Administrativos, Científicos e Políticos, universidade de Tecnologia, Malásia

O Ministério da Educação submeteu os resultados desta avaliação de Agosto de 2009 ao Conselho de Ministros na Quarta-feira de dia 23 de Agosto, obtendo a seguinte deliberação:

1. Conceder mais um ano às instituições ainda não acreditadas, nomeadamente a UNDIL e a UNITAL, para que possam resolver a situação dos estudantes e a situação futura da própria instituição.

2. Interditar estas instituições de receber inscrição de novos estudantes.

3. A AKAKOM deverá coordenar-se com a Secretaria de Estado da Formação Profissional e
Emprego e ajustar os cursos ao nível da formação profissional dentro dos critérios e parâmetros estipulados pela Secr etaria de Estado da Formação Profissional e Emprego.

O Conselho de Ministros expressou a sua apreciação por todo este trabalho
desenvolvido, e reiterou o seu apoio a todos os afectados, no sentido de assegurar um ambiente de ensino superior que corresponda às necessidades nacionais.

Antonio Ramos da Silva
Assessor da Comunicacao do PM Kay Rala Xanana Gusmao
Contactos: Email: gabinetemediapm@ gmail.com ou a.ramos@gpm. gov.tl Telefs.: +6707230087/3310143

Licensing and Accreditation of Tertiary Education in Timor-Leste

Press Release
Licensing and Accreditation of Tertiary Education in Timor-Leste
24th September 2009

Having the purpose to stabilize and guarantee the quality of tertiary education in Timor-Leste, the Ministry of Education led off a process of licensing and accreditation that was conducted in 2008 and 2009 by the experts of an externally international assessment team.

The results of this assessment being done in 2008, to 14 institutions that applied to the process, it had attributed accreditation to seven institutions of high education, two were rejected, and 5 by way of trial:

Among 5 institutions on trial, two of them were accredited and three were rejected their accreditation during the assessment process occurred in August 2008, as follows:

Accredited University – Universidade de Paz (UNPAZ)
Accredited Academy – Instituo Profissional de Canossa (IPC)
Rejected Universities – Universidade de Díli (UNDIL) and Universidade Oriental (UNITAL)
Rejected Academy - Academia Computer Klik (AKAKOM)

The designating team for the international assessment consisted of members coming from various countries and majority of them belonged to the Net of Asia Pacific namely:

Dra. Marjorie Peace Lenn,
President of Quality Guarantee Center in the International Education, USA (Team Leader)

Dr. António MacDowell de Figueiredo,
Universidade Federal do Rio de Janeiro and former national secretary of the Brazilian High Education, Ministry of Education.

Dr. Adil Basuki Ahza,
Executive Secretary of National Institution of Accreditation of High Education, Indonesia

Dr. Manuel Corpus,
Executive Director of Accreditation Institution of Philippines Faculties and Universities

Dr. John Harre,
Authority of Qualification of technology and Polytechnic Institute of New Zealand

Dr. Haji Hazman shah Vijayan Abdullah,
Faculty of Administrative, Scientific and Politic Studies of Malaysian Technology University.

The Ministry of Education submitted the results of this assessment of August 2009 to the Council of Ministers on Wednesday 23rd August, with the following deliberation:

1. Giving one year more to the institutions that are not accredited, such as UNDIL and UNITAL in order they could resolve the students’ situations and the future situation of the institutions themselves.

2. Not allowing these institutions to receive registration from new students.

3. The AKAKOM should coordinate with the State Secretariat for Professional Development and Employment and adjust the courses to the Professional Development within the criteria and parameters established by the State Secretariat for Professional Development and Employment.

The Council of Ministers expressed its appreciation for this job being done and reiterated its supports to all affected parts, in the sense of ensuring an environment of high education that could meet the national necessities.
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Antonio Ramos da Silva
Assessor da Comunicacao do PM Kay Rala Xanana Gusmao
Contactos: Email: gabinetemediapm@ gmail.com ou a.ramos@gpm. gov.tl Telefs.: +6707230087/ 3310143

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Licenciamento e Acreditação de Instituições de Ensino Superior em Timor-Leste

KOMUNIKADU BA IMPRENZA
Lisensiamentu no Akreditasaun ba Instituisaun Ensinu Superior iha Timor-Leste
24 Setembru tinan 2009
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Ho objetivu atu estabiliza no garante kualidade ensinu superior iha Timor-Leste, Ministériu Edukasaun hahú prosesu Lisensiamentu no Akreditasaun ida, ne’ebé mak hala’o iha 2008 no 2009 liu husi ekipa avaliasaun externa internasionál ho peritu sira.

Rezultadu husi avaliasaun ne’ebé mak hala’o iha 2008, ba instituisaun 14 hirak ne’ebé mak kandidata sira nia an ba prosesu ne’e, instituisaun ensinu superior nain hitu mak hetan akreditasaun, rua la hetan akreditasaun, no instituisaun nain lima mak sei iha experiénsia nia laran :

Husi instituisaun nain lima ne’ebé mak tau iha kategoria experiênsia nian, rua hetan ona akreditasaun no universidade nain tolu seidauk hetan akreditasaun iha Agostu tinan ida ne’e, sira hirak ne’e mak hanesan:

Universidade ne’ebé hetan akreditasaun mak

Universidade de Paz (UNPAZ)

Akademia ne’ebé hetan akreditasaun mak

Institutu Profisionál Canossa (IPC)

Universidade hirak ne’ebé mak la hetan akreditasaun mak

Universidade Díli (UNDIL)
Universidade Oriental (UNITAL)

Akademia ne’ebé mak la hetan akreditasaun

Akademia Komputer Klik (AKAKOM)

Atu halo avaliasaun hirak ne’e, nomeia ona ekipa avaliasaun internasionál ida ne’ebé mai husi nasaun oioin, barak liu mai husi Rede Kualidade Ásia Pasífiku (RQAP),mak hanesan:

Dra. Marjorie Peace Lenn, Prezidente, Sentru Garantia Kualidade iha Ensinu Internasionál, EUA ( Nu’udar Líder ba EKuipa)

Dr. António MacDowell de Figueiredo, Universidade Federal Rio Janeiro no antigu Sekretáriu Nasionál Ensinu Superior Brasil, Ministériu Edukasaun

Dr. Adil Basuki Ahza, Sekretáriu Ezekutivu ba Instituisaun Nasionál Akreditasaun Ensinu Superior, Indonésia

Dr. Manuel Corpus, Direktór Executivu, Instituisaun Akreditasaun ba Fakuldade no Universidade Filipina

Dr. John Harre, Autoridade Kualifikasaun Institutu Teknolójiku no Politékniku Nova Zelândia

Dr. Haji Hazman Shah Vijayan Abdulllah, Fakuldade Estudu Administrativu, Sientífiku no Polítiku, universidade Teknolojia, Malásia


Ministériu Edukasaun aprezenta ona rezultadu avaliasaun ida ne'e iha fulan Agostu tinan 2009 ba Konsellu Ministrus iha Kuarta-feira loron 23 fulan Agostu, hodi hetan deliberasaun tuir mai ne'e:

  1. Fó tan tinan ida ba instituisaun hirak ne'ebé mak seidauk hetan akreditasaun, hanesan UNDIL no UNITAL, atu sira bele rezolve situasaun estudante sira nian no situasaun instituisan ne'e nian rasik iha tempu oin mai.
  2. Habandu instituisaun hirak ne'e hodi simu inskrisaun foun ba estudante sira.
  3. AKAKOM tenke koordena ho Sekretaria Estadu Formasaun Profisionál no Empregu no ajusta kursu hirak ba nível formasaun profisionál tuir kritériu no parámetru ne'ebé estabelese tiha ona husi Sekretaria Estadu Formasaun Profisionál no Empregu.

Konsellu Ministrus hato’o nia apresiasaun ba servisu ida ne’e, no sei fó nafatin nia apoiu ba sira hotu ne’ebé afetadu, atu nune’e bele asegura ambiente ensinu superiór ida ne'ebé koresponde ho nesesidade nasionál.

Antonio Ramos da Silva
Assessor da Comunicacao do PM Kay Rala Xanana Gusmao
Contactos: Email: gabinetemediapm@ gmail.com ou a.ramos@gpm. gov.tl Telefs.: +6707230087/ 3310143

Decreto-Lei que aprova a Orgânica do Serviço de Migração

COMUNICADO DE IMPRENSA
Reunião do Conselho de Ministros de 23 de Setembro de 2009
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O Conselho de Ministros reuniu-se esta Quarta-feira, dia 23 de Setembro de 2009, na Sala de Reuniões do Conselho de Ministros, no Palácio do Governo, em Díli, e aprovou:

1. Resolução sobre a Comissão para rever a Missão das Forças de Estabilização Internacional

Tendo em conta a estabilização da segurança em Timor-Leste, vivida nos últimos dois anos, período durante o qual se verifica, igualmente, uma estabilidade social e política efectiva, e dispondo o País de forças de segurança e de defesa capacitadas par a o cumprimento das missões que lhes estão atribuídas, o Governo decidiu nomear uma Comissão para avaliar a necessidade da continuidade da presença das Forças de Estabilização Nacional , (ISF) no território.

O Estatuto das ISF foi criado em Maio de 2006, através de um acordo, assinado entre os governos de Timor-Leste e da Austrália, para o restabelecimento da situação da segurança nacional. Segundo esse acordo, todas as forças policiais e militares, nacionais e internacionais, seriam chefiadas por um comandante australiano.

Em Agosto de 2006, uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas veio revogar parcialmente esse acordo ao atribuir à UNMIT um mandato para a restauração e manutenção da ordem pública em Timor-Leste.

Em Dezembro de 2006, o Comando da Polícia, nacional e internacional, foi entregue às Nações Unidas após a assinatura, com a UNMIT, de um acordo que visava regular as relações entre a UNPOL e o Estado de Timor-Leste.

Em Janeiro de 2007, através do acordo trilateral entre Timor-Leste, a Austrália e as Nações Unidas, fica reconhecido que os poderes da polícia – atribuídos no acordo assinado em Maio de 2006 – já não são aplicáveis.

Assim, tendo em conta todas estas alterações na Missão das ISF, a Constituição da República de Timor- Leste e uma recente decisão do Conselho Superior de Defesa e Segurança, o Governo, respondendo às decisões do Conselho Superior de Segurança, decidiu nomear a Comissão que irá rever a Missão das ISF, em Timor-Leste.

2. Decreto-Lei que aprova a Orgânica do Serviço de Migração

A criação do Serviço de Migração – separada da PNTL pelo IV Governo Constitucional – representa uma oportunidade para desenvolver uma organização orientada para serviços profissionais capazes de executar as metas definidas pelo Governo, para as actividades de migração.

O Serviço de Migração tem responsabilidades gerais nos termos da Lei de Imigração e Asilo de controlar os movimentos de pessoas à chegada e à partida do país, controlando, ainda, e monitorizando a presença de estrangeiros em território nacional.

A Lei Orgânica do Serviço de Migração foi desenvolvida para assegurar que o serviço tenha as condições organizacionais e legislativas necessárias para prestar uma boa gestão migratória.

3. Decreto-Lei que aprova os Estatutos do Pessoal do Serviço de Migração

O Serviço de Migração (SM) foi criado como uma entidade separada, directamente dependente do Membro do Governo Responsável pela Área da Migração, e o seu estatuto de pessoal do SM deverá ser regulado por legislação própria.

Assim, a implementação da Lei Orgânica do Serviço de Migração requer a criação de uma carreira de regime especial (tendo em conta os princípios das Leis e Regulamentos da Função Pública) que se ajuste ao conteúdo funcional e à estrutura específica do SM.

4. Resolução que aprova a Política Nacional da Cultura

“Colocar a Cultura ao serviço da afirmação da Nação e do Estado timorense” é uma das prioridades definida pelo IV Governo Constitucional no seu programa para o período legislativo entre 2007 e 2012.

A preservação e divulgação do património e dos valores culturais e artísticos de Timor-Leste estão previstos nesta política através de um conjunto de linhas de acção que incluem a criação de legislação, o apoio a programas de investigação, educação e for mação, e a edificação de infra-estruturas.

Cabe, assim, ao Governo coordenar e executar as políticas definidas no âmbito da preservação do património cultural, promovendo igualmente o apoio a associações e actividades culturais, o apoio e promoção à edição de informação de interesse cultural em vários suportes, bem como a colaboração com outras entidades cujos âmbitos de acção sejam relevantes na área da cultura.

A actual Lei Orgânica do Ministério da Educação prevê e define a Biblioteca Nacional como instituto Publico a criar, assumindo a responsabilidade pela gestão d e bibliotecas e nível nacional.

Antonio Ramos da Silva
Assessor da Comunicacao do PM Kay Rala Xanana Gusmao
Contactos: Email: gabinetemediapm@ gmail.com ou a.ramos@gpm. gov.tl Telefs.: +6707230087 /3310143...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

quarta-feira, 23 de abril de 2008

"11 Fevereiro": Comunicacao de SE Dr. Jose Ramos-Horta ao Parlamento Nacional


COMUNICAÇÃO DE SUA EXCELÊNCIA

DR. JOSÉ RAMOS-HORTA

PRESIDENTE DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE
PRÉMIO NOBEL DA PAZ

AO PARLAMENTO NACIONAL

23 DE ABRIL DE 2008

Exmo. Senhor Presidente do Parlamento Nacional
Exmo. Senhor Primeiro-Ministro
Exmo. Senhor Presidente do Tribunal de Recurso
Exmo. Senhor ex-Presidente da Republica, Francisco Xavier do Amaral,
Exmo. Senhor ex-Presidente do PN Francisco Guterres Lu’Olo
Exmo. Senhor ex-PM Dr. Mari Alkatiri
Exmo. Senhor ex-PM Eng. Estanislau da Silva
Exmo. Senhor Procurador-Geral da República
Exmo. Senhor Chefe do Estado-Maior General das F-FDTL
Exmo. Senhor Comandante-Geral da PNTL a.i.
Exmas. Senhoras e Senhores Deputados
Exmas. Senhoras e Senhores Membros do Governo
Exmos. Membros de Autoridades Civis e Religiosas
Exmo. Senhor RESG da ONU, Dr. Atul Khare
Exmos. Membros do Corpo Diplomático e Consular,
Exmas. Senhoras e Senhores Convidados,

Povo de Timor-Leste,

Excelências,

Volto hoje a esta Casa da Democracia timorense depois dos tristes e trágicos eventos de 11 de Fevereiro. Sem a intervenção divina, e a sabedoria e dedicação dos médicos e enfermeiros em Dili e Darwin, eu não estaria hoje entre vós. Quis Deus que eu sobrevivesse.

Este ano celebra-se o 40º. Aniversário do assassínio de Martin Luther King, homem de diálogo e tolerância, distinguido com o Prémio Nobel de Paz, lutador generoso e inspirador pela emancipação dos negros americanos e dos oprimidos de todo o mundo.

Martin Luther King, Mahatma Ghandi, Olof Palme, John F. Kennedy, Robert F. Kennedy, Patrice Lumumba, Kwame N’Kruma, Amílcar Cabral, são alguns dos grandes nomes do século XX que não sobreviveram às balas dos assassinos. Deus chamou-os para junto de si, privando a Humanidade da sua grandeza moral, força intelectual e inspiradora. Mas eles legaram à Humanidade as grandes lições que ainda hoje nos inspiram. Esta sua herança é eterna e inspira-nos no dia-a-dia.

Eu sobrevivi as duas balas disparadas a menos de 20 metros de distância. Sou pequeno comparado com a grandeza daqueles mártires que sempre foram a minha inspiração. E pergunto por que Deus quis que eu vivesse, mas nos privou desses grandes homens. Só Deus sabe.

Os estilhaços das balas que me atingiram pararam a poucos milímetros da coluna e a poucos centímetros do coração e do pulmão. Nenhum órgão vital foi atingido. Deus quis que eu continue a fazer uso de todas as minhas modestas faculdades para continuar a minha obra modesta em prol deste nosso grande povo e em prol da Humanidade.

Uma freira amiga australiana contou-me que ela e outras irmãs rogavam a Deus para me salvar, dizendo: “Deus, Tu não necessitas dele no Céu. Nós necessitamos dele na Terra”. E Deus ouviu esse pedido.

No dia 11 de Fevereiro eu fiquei na fronteira entre a vida e a morte. Nesses momentos parecia ver e sentir que um grupo de homens me tentava asfixiar. Assim como Cristo perguntou ao Pai quando foi crucificado “Pai porque me abandonaste”, eu perguntei “Que ao menos me diga que mal fiz”.

Ouvi então uma voz muito clara, voz que nunca mais esquecerei, dizendo para os meus algozes: “Larguem-no, ele não fez mal a ninguém”. Logo em seguida os meus algozes sumiram e senti uma sensação de ligeireza, a sensação de que estava vivo. Acredito que era uma voz de comando, a voz de Deus. Fui também salvo pelos “matebians” e “lia nains” que eu sei que em todo o Timor-Leste oraram por mim e me protegeram.

Por isso, estou hoje aqui, perante vós, de novo nesta nossa Terra sagrada, no meio deste povo que já tanto sofreu e que sofreu com o meu sofrimento.

As orações, as vigílias, os rituais sagrados que têm a força de milhares de anos e a recepção de que fui objecto no dia 17 de Abril, reflectem a grandeza do vosso coração, da vossa bondade, a grandeza deste nosso povo. Não sabia que merecesse tanto, eu que sou um pecador.

As orações e todas as atenções de que fui objecto da parte pessoas em todo o mundo, grandes e pequenos, poderosos e fracos, ricos e pobres, de todas as culturas e religiões, comovem-me profundamente e ensinam-me a ser mais humilde, paciente e tolerante.

Exmos. Senhores e Senhoras,

Agradeço aos senhores Deputados, de todas as bancadas, que me telefonaram, enviaram mensagens, ou se deslocaram a Darwin para me transmitirem o seu apoio.

Felicito o Senhor Presidente do Parlamento Nacional, Fernando “La Sama” Araújo, pela serenidade e equilíbrio com que assumiu as suas responsabilidades enquanto Presidente da República interino.

Agradeço sentidamente a todas as personalidades, nacionais e estrangeiras que me visitaram, contactaram e acompanharam a evolução do meu estado de saúde, ao meu anfitrião e amigo,o Sr. Primeiro-Ministro da Austrália, Kevin Rudd, assim como o Gen. Peter Cosgrove, ex-Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas australianas ao Chief Minister e vários Ministros e Deputados do Território Norte.

Aos Srs. Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas, Embaixadores de Portugal, Brasil, EUA e Japão, ao Embaixador do Brasil em Canberra, assim como o Encarregado de Negócios da Venezuela, que me trouxe uma mensagem do Presidente Hugo Chavez, ao meu amigo Guigliermo Colombo, ao Embaixador de Kuwait em Jacarta, ao Dr. António Franco, do Banco Mundial, ao Dr. Atul Khare, que me visitou várias vezes no hospital e durante a minha convalescença, revelando a sua amizade e preocupação, registo a minha sincera apreciação.

Aos nossos estimados e venerados bispos, Dom Alberto e Dom Basílio, sacerdotes e freiras em todo o Timor-Leste que oraram por mim noite e dia. A eles o meu sincero e profundo agradecimento.

Agradeço a todos os Chefes de Estado e de Governo, ao Secretário-Geral da ONU Sr. Ban Ki-Moon, ao presidente da Comissão Europeia, Dr. José Manuel Durão Barroso, aos membros do Congresso e do Senado dos Estados Unidos, deputados de outros países amigos, às personalidades amigas de Timor-Leste, que me visitaram, telefonaram, enviaram mensagens ou, de outras formas, me transmitiram a sua preocupação e o seu cuidado.

Agradeço a Sua Santidade o Papa Bento XVI, cujas palavras amigas ajudaram a renovar a minha energia.

E agradeço muito especialmente a todo o povo timorense as manifestações de apoio e as mensagens – que continuo ainda a receber diariamente. A toda a população agradeço o apoio que me transmitiu e a preocupação que revelou – com a minha saúde e com o futuro da nossa sagrada terra, Timor-Leste. Perante este nosso povo simples, humilde, pobre, que nada tem mas tudo dá do seu coração generoso, curvo-me em humildade.

Deixo o meu testemunho de gratidão e uma palavra muito especial para a comunidade timorense em Darwin e na Austrália, em geral, pelo apoio e amizade que manifestaram.

Agradeço as visitas do Senhor Presidente do Parlamento Nacional, Fernando “La Sama” Araújo, a visita do Senhor Presidente interino do Parlamento Nacional, senhor Vicente Guterres, do Senhor ex-Presidente do Parlamento Nacional, Francisco Guterres Lu’Olo, e dos Senhores ex-Primeiro-Ministros Dr. Mari Alkatiri e Eng. Estanislau da Silva.

Ao Senhor Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, agradeço a sua visita e todas as iniciativas e atenções que teve para proporcionar condições para a minha recuperação e para o bem-estar dos familiares que me acompanharam. Vossa Excelência, Sr. Primeiro-Ministro, revelou uma vez mais as suas qualidades de liderança em momentos difíceis e cruciais, em que um líder é posto a prova. Vossa Excelência foi igualmente alvo de um atentado contra a sua pessoa, mas soube agir com serenidade.

O meu apreço ao Comando Conjunto das F-FDTL e PNTL pela sua acção profissional e estabilizadora da nossa comunidade nacional. Estão de parabéns pela forma disciplinada como se comportaram, com profissionalismo e eficácia, e respeitando sempre os direitos fundamentais das populações.

Por intermédio do seu comando, nas pessoas do Sr. General Taur Matan Ruak e do Sr. Afonso de Jesus, saúdo todos os homens e mulheres das F-FDTL e da PNTL, ao serviço da operação do Comando Conjunto. Deixo também o meu reconhecimento aos efectivos da UNPOL e das ISF.

Agradeço ainda, entre muitos que poderia citar, à senhora deputada a este Parlamento Nacional, Dr.ª Ana Pessoa, ao senhor Eng. João Carascalão, cunhado e amigo, ao Dr. Rui de Araújo, na sua qualidade de médico e amigo, a amizade e a disponibilidade com que acompanharam, desde os primeiros dias, a minha recuperação em Darwin.

Reitero o meu agradecimento à GNR e aos profissionais da Emergência Médica portuguesa, em Díli, em especial ao senhor enfermeiro Jorge Marques, que primeiro me assistiu na manhã do dia 11 de Fevereiro. A reacção pronta da GNR revelou uma vez mais não só o seu profissionalismo, mas também a sua amizade, que vai para além do dever.

Agradeço também, muito especialmente, ao pessoal do Aspen Medical Centre, de Díli, e aos militares australianos que se prontificaram a dar sangue, contribuindo para a estabilização do meu estado de saúde, nas primeiras horas após ser ferido.

Exmos. Senhores e Senhoras,

A intervenção dos médicos e dos outros especialistas do Aspen Medical Centre foi essencial para eu chegar vivo a Darwin e poder estar, hoje aqui, a falar perante este Parlamento Nacional.

Agradeço também aos profissionais do Hospital Real de Darwin pela dedicação com que me trataram. Naquele hospital fui tratado com especial atenção e carinho por todos, desde os funcionários de limpeza, aos enfermeiros e médicos, chefiados pelo Prof. Phil Carson, cirurgião que chefiou a equipa médica que me operou.

Não posso deixar de agradecer ainda aos agentes da Polícia Federal Australiana e da Polícia do Território do Norte, que acompanharam a minha estada em Darwin.

Ao Governo e ao povo australianos, o meu eterno reconhecimento. O Primeiro-Ministro Kevin Rudd, assim como todo o povo australiano, revelaram verdadeira amizade e solidariedade, não só para comigo, mas também para com todo o povo timorense.

Deixo ainda uma palavra de louvor aos servidores da Presidência da República, nacionais e internacionais, pela maneira como asseguraram a estabilidade do funcionamento dos serviços e como apoiaram o desempenho das funções do Senhor Presidente da República interino.

Aos meus familiares, a minha sofrida mãe, meu filho, irmãos, tios, sobrinhos, primos, cunhados, em Timor-Leste, na Austrália e em Portugal, que choraram, sofreram e velaram por mim, passando noites à minha cabeceira, sempre atentos ao meu chamamento, fico eternamente grato.

Excelências,

Vou agora abordar a questão do Sr. Alfredo Reinado e dos ditos “peticionários”.

Todos conhecem o meu empenhamento na busca de uma solução pacífica para o caso do senhor Alfredo Reinado. A sua resposta aos esforços de diálogo e de paz foi, infelizmente, a que conhecem. Ao longo de um ano e meio, explorei todas as vias possíveis para resolver estas duas questões pela via do diálogo, nunca hesitando em deslocar-me até onde fosse necessário para ouvir o Sr. Alfredo Reinado e o Sr. Gastão Salsinha.

No dia 11 de Fevereiro, eu não tinha nenhum encontro marcado com o senhor Alfredo Reinado. Não agendei nenhuma reunião com o Sr. Alfredo Reinado na minha residência.

As reuniões que tivemos foram sempre fora de Díli e nunca foram secretas. Ao longo de quase dois anos de esforços para a solução deste caso, assim como de muitos outros, optei sempre pela transparência, informando sempre todos os colegas da liderança. Quando se realizavam reuniões, os meus colegas de liderança eram sempre informados por mim, incluindo o ex-Primeiro-Ministro Mari Alkatiri e o Fórum de Alto Nível. Eu não teria agendado uma reunião em minha casa sem ter consultado e informado o Sr. Presidente do PN e o Sr. PM.

No passado dia 11 de Fevereiro, saí de casa às 6 da manhã e dirigi-me ao Cristo-Rei, a passo rápido, para o meu exercício matinal habitual. Fui acompanhado de dois elementos das F-FDTL. No regresso, cerca das 6h50, ouvi tiros. Continuei o meu exercício e, uns cinco minutos mais tarde, ouvi uma segunda rajada de tiros. Nessa altura, percebi que os tiros vinham da área da minha residência.

Continuei a andar e cruzei-me com uma pessoa conhecida que me disse haver exercícios das ISF na zona da minha casa. Fiquei perplexo por não saber de tais exercícios e dever ter sido informado. Prossegui em direcção a casa e vi, a alguma distância à minha frente, uma viatura das F-FDTL caída numa vala, não longe do portão principal da casa. Não havia ninguém visível, muito menos efectivos das ISF. Fiquei preocupado com a segurança das crianças e de outras pessoas acolhidas em minha casa e apressei o passo.

Mas, logo a seguir, um dos elementos das F-FDTL que me acompanhava alertou-me para a presença de um homem armado, a uma dezena de metros de distância, junto ao portão principal da residência.

Pude ver esse homem claramente; estava com um uniforme militar, que eu sabia ser do grupo do senhor Alfredo Reinado, e apontou para mim a sua arma. Virei-me com a intenção de correr e de me afastar mas, nessa altura, ele disparou, atingindo-me pelas costas, do lado direito. Cai na estrada e os dois efectivos das F-FDTL correram para mim, tentando socorrer-me.

Antes de ser atingido, quando fazia o caminho de regresso a casa, telefonei ao senhor Gen. Taur Matan Ruak para o informar de que havia tiroteio na zona da minha residência. O Gen. Taur imediatamente mobilizou os homens sob seu comando para fecharem as saídas de Dili do lado de Hera e Fatuahi. Ao mesmo tempo, foi ao Campo Fenix para pedir ajuda ao comandante da ISF. Dali, deslocou-se ao Comando da GNR e ficou mais tranquilizado quando constatou que a GNR já estava a actuar.

Depois de ter sido ferido, pedi aos militares que estavam comigo para tirarem o telemóvel do meu bolso e eu próprio telefonei à minha Chefe de Gabinete, a quem pedi para informar a UNPOL e as ISF de que tinha sido atingido.

Revelando uma total falta de respeito pelo Chefe de Estado, o senhor Alfredo Reinado e o seu grupo forçaram a sua entrada na minha residência, desarmaram elementos da segurança pessoal do Presidente da República e apropriaram-se ilegalmente de mais armas. Este comportamento não é de quem vem para dialogar.

O elemento das F-FDTL que atingiu o senhor Alfredo Reinado e seu guarda-costas cumpriu o seu dever perante um acto criminoso, punível severamente em qualquer país do mundo.

Um dos assaltantes aguardou o tempo necessário pelo meu regresso e disparou, friamente, sem aviso, contra a minha pessoa.

Trata-se de acto extremamente grave – a agressão a tiro, deliberada – contra uma pessoa desarmada, e contra um Chefe de Estado democraticamente eleito.

Aguardo serenamente os resultados da investigação que está em curso e reitero a minha confiança no PGR, e felicito-o a si e a toda a equipa que beneficia de excelente apoio de agentes da Policia Federal Australiana, da POLRI e do FBI pelos progressos já realizados. A POLRI, agindo sob autoridade do Presidente da Republica da Indonésia, já deteve três cúmplices do Sr. Reinado que entraram ilegalmente na Indonésia logo a seguir ao criminoso atentado de 11 de Fevereiro.

Relativamente ao Sr. Gastão Salsinha, ao tornar-se cúmplice do senhor Alfredo Reinado perdeu toda a legitimidade, ou razão para fazer exigências e dirigir-se ao Chefe de Estado. O Sr. Gastão Salsinha deve entregar-se imediatamente, entregar todas as armas, e enfrentar a Justiça.

A operação do comando conjunto deve continuar, tendo em vista recuperar todas as amas e deter todos os elementos armados que agem em cumplicidade com o Sr. Gastão Salsinha.

Este senhor não representa os peticionários, que escolheram acantonar-se, e não merece o título de tenente das forças armadas. O seu comportamento não é próprio de um oficial das forças armadas. Quem veste uma farda sabe que pesa sobre si uma elevada responsabilidade. No caso de um oficial do exército, tem a elevada responsabilidade de defender o bom nome da instituição a que pertence, a integridade das instituições do Estado e os órgãos da soberania nacional.

Ao longo de quase dois anos, não só quando era ministro dos Negócios Estrangeiros, como depois enquanto Primeiro-Ministro e, agora, como Presidente da República, eu próprio proporcionei, ao Sr. Gastão Salsinha, muitas oportunidades para depor as armas. Sempre insisti com ele e com os ditos “peticionários” para nunca usarem da violência.

Em Julho de 2007, por intermédio do ex-Deputado Leandro Isaac e do Sr. Procurador-Geral da República, avistei-me com os senhores Amaro da Costa Susar e Felisberto Garcia Pinto, em Alas, tendo dialogado com ambos. Fizeram a entrega de uma arma e prometeram que se entregariam, eles próprios e mais armas, alguns dias depois. O Sr. Susar mudou de ideias e voltou a juntar-se ao Sr. Reinado. O Sr. Garcia revelou maior maturidade e seriedade e deslocou-se a Dili, apresentando-se ao Comando da PNTL e, a seguir, à Presidência da República, com uma arma. Como manifestação de boa fé e confiança integrei de imediato o Sr. Garcia na equipa da minha segurança pessoal.

Caros Senhores e Senhoras,

A Comissão de Notáveis, criada em Abril de 2006 pelo então Primeiro-Ministro, Dr. Mari Alkatiri, foi constituída por personalidades timorenses representando o Governo, o PN e a Sociedade Civil, como era exigência dos “peticionários”.

Eu próprio auscultei a opinião do Sr. Gastão Salsinha numa reunião realizada na minha residência no dia 27 de Abril de 2006. Ele revelou-se satisfeito com os nomes indicados. No entanto, após a formação da Comissão, o Sr. Gastão Salsinha não só não quis cooperar, como instrumentalizou os seus homens a não cooperarem, revelando má fé.

Durante o meu breve mandato como Primeiro-Ministro, mantive várias reuniões com o General Taur Matan Ruak e com todos os oficiais superiores, para encontrarmos uma solução justa e digna para a questão dos “peticionários”.

Sempre disse que não seria possível modernizar as nossas forças armadas e pôr em prática o modelo de forças recomendado no Estudo 20/20 sem termos resolvida a questão dos ditos peticionários.

O Sr. General Taur Matan Ruak e os oficiais do seu Estado-Maior que combateram 24 anos – graças aos quais somos hoje um país livre e independente – e que sobreviveram graças ao apoio do povo pequeno e pobre, são homens de coração de ouro.

Quando fazemos face a um conflito, ou a situações em que as partes não estão em acordo, procuramos resolver o conflito pela via do diálogo e esse processo de diálogo só pode produzir um resultado positivo para todas as partes se cada uma delas estiver a agir de boa fé e a colocar os interesses nacionais acima de tudo. A chefia militar endossou a minha proposta, esta que o actual executivo AMP está a executar.

A minha proposta resume-se no seguinte:

- Não haverá readmissão em bloco de todos os “peticionários”;

- Haverá um novo processo de recrutamento com base na Lei de Serviço Militar Obrigatório que o II Governo Constitucional enviou ao PN e que foi aprovada e promulgada em 2006;

- Os “peticionários” que queiram regressar às fileiras das F-FDTL terão de se submeter a um novo processo de recrutamento, não havendo garantia de que o requerente seja readmitido;
- Os “peticionários” que prefiram optar pela vida civil serão elegíveis para receber um incentivo monetário equivalente a três anos de seu vencimento.

Em duas ocasiões, por intermédio do Sr. Augusto Júnior, de MUNJ, auscultei a opinião do Sr. Gastão Salsinha sobre a minha proposta. Conforme o Sr. Augusto Júnior, o Sr. Gastão Salsinha mostrou-se positivo, alias, muito entusiasmado em relação `a minha proposta. Embora o Sr. Alfredo Reinado não fizesse parte do grupo dos “peticionários”, segundo o Sr. Augusto Júnior, ele também concordou com a minha proposta.

No entanto, quando me reuni com os senhores Alfredo Reinado e Gastão Salsinha, em Maubisse, no início de Janeiro deste ano, ambos negaram ter alguma vez concordado com a proposta.

Quero recordar aos senhores Deputados e a todo o povo que, no início da crise em Abril/Maio de 2006, o Sr. Alfredo Reinado me disse, a mim e à imprensa, que não era “peticionário” e que o seu caso era diferente, era separado. Só o Major Tara é que desde o início se aliou aos “peticionários”, defendendo os seus interesses. O Sr. Alfredo Reinado começou a mudar de atitude em finais de 2006, auto-proclamando-se como líder dos “peticionários”.

Por que mudou de posição? Mudou porque foi aconselhado pelos seus muitos conselheiros timorenses e não-timorenses no sentido de que, apoderando-se da causa dos “peticionários”, teria mais poder de negociação com o Governo e as F-FDTL.

Em 2006 e 2007 tive vários encontros com os senhores. Alfredo Reinado e Gastão Salsinha. Observei que, ultimamente já possuíam mais meios, evidência de que elementos timorenses e não timorenses os apoiavam na aquisição de novo fardamento, aparelhos de comunicação, telemóveis, viaturas, combustível, etc. Certa imprensa timorense e internacional que acorria aos pés do Sr. Alfredo Reinado inflacionava o seu ego. Faziam-no passar por “herói”.

Havia ONGs timorenses e indivíduos que, em vez de contribuírem para uma solução pacífica, alimentavam o ego do Sr. Reinado e tornavam-no cada vez mais irracional e arrogante.

Caros Senhores e Senhoras,

Lamento a morte do Sr. Alfredo Reinado, assim como lamento a morte de qualquer ser humano, e mesmo de um animal quando esse animal é morto sem razão, ou motivo aparente. Nós não matamos um animal por prazer. Matamos para nos alimentarmos, assim como os animais buscam alimentos e, às vezes, usam da sua força bruta. Demasiadas vidas timorenses foram ceifadas pela violência ao longo de mais de três décadas.

No penúltimo encontro que tive com o Sr. Reinado, na região de Ermera, encontro a sós, eu disse textualmente o seguinte a esse meu irmão. Repito as minhas palavras, pois foram palavras bem pensadas e sentidas por mim: “Alfredo, qual é a sua causa afinal? Posso compreender que alguém, você, pegue em armas quando está frente a uma tirania que oprime o povo e não quer o diálogo. Eu sou o Chefe de Estado de um país livre, democrático. Estou aqui `a sua frente. Desça comigo para Dili, volte à sua instituição, vamos falar com os seus companheiros de armas das F-FDTL. Alfredo, até quando você vai ficar nas montanhas? Contra quem está a combater? Sou eu o seu inimigo? Você tem mulher e filhos. Volte para a sua família. Cuide deles. Você gosta de armas, mas qualquer dia morre com elas. Quem brinca com o fogo pode queimar-se”.

O Sr. Alfredo Reinado respondeu, já exaltado: “Eu não tenho medo da morte... Eu não penso na minha família. Penso no povo”.

A este discurso barato, respondi: “Isso é falso, é demagogia. Se você diz que não pensa na família, então você não tem sentimentos para com ninguém. Quem não pensa na esposa e filhos, nos pais e irmãos, então não pode ter sentimentos para com os outros”.

No dia 11 de Fevereir,o Alfredo Reinado morre uma morte sem glória, não morre uma morte de herói, de mártir. Morre uma morte sem causa, morre pelas armas de que ele se sentia muito orgulhoso.

Como é sabido de todos, fui criticado por defender e ordenar o não uso da força para fazer prevalecer o mandado de captura em relação ao Sr. Reinado. A minha decisão não foi unilateral. Ela foi amplamente discutida no Fórum de Alto Nível e apoiada como decisão do Estado a ser acatada pelas forças internacionais. Esta era uma decisão correcta, sensível.

Quando, em 2007, se optou pelo uso da forca para fazer valer lei, cinco pessoas perderam a vida e o foragido conseguiu escapar, abandonar o diálogo, para de novo se fazer uso da força contrária ao espírito e à letra da nossa Constituição, em que se consagra a primazia da vida e o não uso da força para solucionar casos eminentemente políticos. Mesmo ao pior criminoso fugido da justiça se lhe respeita o sagrado direito à vida.

Foi por isso, e só por isso, para se evitar mais derramamento de sangue e mais perda de vidas numa sociedade que já viu demasiado sangue jorrar e vidas ceifadas pela violência, que eu, enquanto Chefe de Estado, optei pelo processo de diálogo com o Sr. Alfredo Reinado e o Sr. Gastão Salsinha.

Não sou pacifista utópico. Sou pacifista realista e pragmático, que acredita na via do diálogo. Mas tão pouco acredito cegamente no diálogo quando se sabe que o outro lado se quer impôr pela via das armas.

Caros Senhores e senhoras;

Após décadas de violência, Timor-Leste independente quer abrir uma nova página na história da construção nacional, no nosso desenvolvimento económico e na melhoria das condições de vida do povo pequeno – uma página nova que represente uma vida melhor para as crianças, as mulheres e os homens da nossa terra que põem a sua esperança nos frutos da independência.

Todos nós devemos dar o exemplo. Por isso, apelo ao Governo para que, em diálogo permanente, envolva o partido mais votado na construção dos consensos e das soluções para os desafios que o país tem à sua frente: o caso dos “peticionários”, deslocados, a reforma da Administração Pública – em particular nos sectores da Justiça, da Defesa e Segurança, e da administração descentralizada.

Os timorenses deslocados devem ser estimulados a reintegrarem-se, rapidamente, nas suas comunidades, porque a situação de segurança actual permite encarar o futuro com uma nova confiança. Vamos renovar o diálogo nos bairros para que o regresso dos IDPs seja o mais digno e pacifico possível. O problema dos IDPs está intimamente ligado à questão das terras e propriedades, à habitação, a oportunidades para que cada um possa sentir que não está abandonado e esquecido pelos líderes.

O Estado tem os meios financeiros ao seu alcance para assegurar que, a médio prazo, se possa oferecer, a cada família timorense que hoje vive em condições precárias, uma casa simples, mas condigna.

Os desafios que enfrentamos envolvem grandes causas nacionais. Continuar divididos, cada um na sua trincheira, guerreando-nos, em nada nos ajuda a ultrapassar a crise.

Temos de saber gerar soluções de inclusão política e institucional. Antes de 11 de Fevereiro, partindo de uma proposta apresentada pela FRETILIN, iniciámos diálogos com vista à criação de mecanismos de inclusão e de participação. Quero aprofundar esse diálogo, estruturante para o nosso futuro, de valorização das forças políticas representativas, no sistema democrático.

Nesse sentido, existe já alguma base legal que importa desenvolver. A lei 07/2007 prevê a criação de gabinetes para ex-titulares de órgãos de soberania. Nesta fase da vida do nosso país, todas as competências devem ser aproveitadas e valorizadas no desenvolvimento de objectivos nacionais comuns – como, entre outros, a consolidação do Estado de Direito democrático e a erradicação da pobreza.

Assim, peço a todos os ex-titulares que constituam gabinetes, criando melhores condições para participarem no esforço nacional de consolidação do Estado e do sistema democrático.

Peço, em especial, ao senhor ex-Primeiro-Ministro Dr. Mari Alkatiri, companheiro e amigo de muitos anos, que contribua com o seu gabinete, tornando-o um gabinete de apoio ao desenvolvimento, nos aspectos político, económico, social e institucional.

Um objectivo como este requer, provavelmente, mais meios e recursos do que aqueles previstos na legislação existente. Mas, no caso de esta ideia ser acolhida, o senhor ex-Primeiro-Ministro poderá apresentar propostas claras sobre as necessidades de um gabinete com esta natureza.

Darei o meu contributo empenhado para que o Governo e o Parlamento tomem iniciativas legislativas para acolher tais propostas.

Como Chefe de Estado, convidarei em breve ex-titulares de órgãos de soberania para me representarem fora do país, em missões de interesses nacional que tenham a sua aceitação. Poderão, desse modo, dar um renovado contributo para a satisfação de necessidades nacionais e para a visibilidade e a afirmação da imagem de Timor-Leste independente e unido.

É importante utilizarmos a experiência e o conhecimento de todos os timorenses ao serviço de objectivos nacionais comuns.

Senhor Presidente, senhoras e senhores deputados.
Senhoras e senhores convidados.

Tenciono retomar e desenvolver o diálogo iniciado na minha residência entre o Governo representado pelo senhor Primeiro-Ministro, a AMP, representada pelo senhor Presidente do Parlamento Nacional, e todos os partidos da oposição, da FRETILIN, ao Partido da Unidade Nacional, à UNDERTIM e ao partido KOTA e o PPT.

As duas rondas de diálogo que decorreram até agora realizaram-se num ambiente positivo e felicito todos pela forma madura e construtiva com que dialogaram em conjunto.

Existem condições para encontrarmos um entendimento entre o Governo da AMP e as outras forças políticas com assento neste Parlamento Nacional, incluindo o partido mais votado, e sem negligenciar os outros partidos aqui representados.

Apesar de todas as diferenças, que são naturais na política, acredito que a liderança nacional tem como primeira preocupação e primeira prioridade a construção da paz e do desenvolvimento do nosso país.

Os meus irmãos de liderança política timorense nunca devem esquecer – mas sim ter sempre bem presentes – os erros e as lições do passado.

Em 1975, houve interferências e manipulações externas na situação interna do país. Alguns de nós caímos na teia, preparada contra nós por interesses exteriores, e guerreámo-nos na primeira guerra civil da história deste país.

Em 2006, houve elementos estranhos que fomentaram a divisão entre a PNTL e as F-FDTL. Logo a seguir à tentativa de assassinato que me visou e ao senhor Primeiro-Ministro, surgiram mútuas acusações entre dirigentes timorenses, sem se deterem a pensar se, uma vez mais, elementos estranhos a este país estariam implicados nestes hediondos crimes.

A investigação em curso, dirigida pelo senhor PGR, Dr. Longuinhos Monteiro, e apoiada pela Polícia Federal Australiana, está a revelar dados que confirmam haver elementos estranhos ao nosso país implicados, ao longo de pelo menos um ano, no fornecimento ao Sr. Alfredo Reinado de meios financeiros, de aparelhos de comunicações e de fardas.

Logo a seguir aos atentados contra a minha pessoa e o Sr. Primeiro-Ministro, alguns elementos timorenses de nacionalidade australiana fugiram para a Austrália. Outros timorenses implicados nos crimes de 11 de Fevereiro fugiram para a Indonésia.

Devo aqui registar o meu sincero apreço ao Sr. Presidente da República Indonésia, Susilo Banbang Youdhayono, que alertado por mim sobre o envolvimento de certos elementos, ordenou imediatamente que a Polícia Indonésia desse todo o apoio à nossa investigação. Elementos de alta patente da Polícia Indonésia estiveram em Díli e estão a dar todo o apoio ao senhor Procurador-Geral da República.

A Indonésia é um país de quase 250 milhões de pessoas e é quase impossível para as autoridades de fronteira controlarem o movimento de todas as pessoas que circulam para fora e para dentro da Indonésia.

O Sr. Alfredo Reinado, em 2007, entrou em território indonésio, com documentos falsos, e em Jacarta foi entrevistado pela Metro TV.

Nas vésperas dos ataques contra a minha pessoa e a do senhor Primeiro-Ministro, foram feitas dezenas de chamadas telefónicas, pelo senhor Reinado e pelo senhor Salsinha, para a Indonésia e para a Austrália.

Tenho total confiança no Estado indonésio e em particular no Presidente Susilo Bambang Youdhayono assim como tenho total confiança nos dirigentes australianos e, em particular, no PM Kevin Rudd.

Assim como Timor-Leste, desde a independência, nunca permitiu que elementos hostis à Indonésia usassem o seu território para desestabilizar o país vizinho, também acreditamos que a Indonésia não permitirá que elementos timorenses, ou não timorenses, usem o território da Indonésia – se aproveitem da liberdade e da abertura na Indonésia – para fomentar instabilidade no nosso país.

Excelências,

Quero uma vez mais sublinhar a conduta exemplar dos efectivos do Comando Conjunto e de todos os seus oficiais, que conseguiram a rendição de 26 elementos e a entrega das respectivas armas, quase sem terem disparado um tiro.

Ao Sr. General Taur Matan Ruak e, através dele, a todos os oficiais e efectivos das forças, uma palavra de parabéns do Comandante Supremo das Forças Armadas.

Para a PNTL, através do seu Comandante-Geral interino, Afonso de Jesus, igualmente uma palavra de parabéns a todos os efectivos policiais.

Apelo às duas forças para que nunca mais haja desconfianças entre si e falsas divisões. As F-FDTL e a PNTL são forças nacionais, com o dever de defender a Pátria e todo o povo. Não devem cair na teia daqueles que as querem dividir para desestabilizarem a nossa nação.

O nosso Estado vai investir na melhor preparação das forças. Vai dar às F-FDTL e à PNTL mais formação e melhores meios materiais para exercerem as suas funções com dignidade e profissionalismo.

Aos ditos “peticionários”, assim como àqueles elementos do grupo do Sr. Alfredo Reinado que se entregaram, quero garantir que não haverá nem perseguição, nem discriminação.

Serão tratados com todo o respeito pela sua dignidade pessoal e pela sua integridade física, de acordo com a lei e como é garantido pela nossa Constituição. Sei que a esmagadora maioria dos ditos “peticionários” abandonou as forças armadas porque foi manipulada.

Quero também reiterar, perante o digno Parlamento Nacional e perante todo o povo de Timor-Leste, que – como Chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas –, o comportamento do falecido Sr. Alfredo Reinado e do Sr. Gastão Salsinha me merecem a mais firme condenação.

Essa condenação é tanto maior quanto, como oficiais das Forças Armadas, tinham o dever e a obrigação, perante toda a Nação, de lealdade, disciplina e obediência aos seus superiores.

O dever de um oficial das forças armadas, como da polícia, é de lealdade ao seu país e de respeito pelo Estado, que devem proteger e defender. Um oficial tem o dever de contribuir para a solução dos problemas da instituição e de dirigir os homens sob o seu comando tendo em vista os objectivos da instituição e do país. Provocar motins, ou insurreições contra o Estado e as Forças Armadas, são comportamentos inaceitáveis, impróprios de verdadeiros oficiais.

O regresso desses dois elementos às Forças Armadas é inaceitável e não poderia, nunca, ter o meu apoio. Dentro de cinco anos, o General Taur Matan Ruak e outros grandes oficiais das nossas forças que vieram da luta armada passarão à reforma que bem merecem. O Estado muito lhes deve pelos mais de 30 anos de patriotismo, dedicação e abnegação. Tudo deram ao povo e a Pátria, e tudo deve fazer o Estado livre e democrático para os honrar e reconhecer o seu direito de repouso na reforma.

Mas pergunto: quem os substituiria? Oficiais como os Srs. Reinado e Gastão Salsinha?

A minha resposta é um NÃO categórico, pois traíram a própria instituição e os seus companheiros. Aqueles que, apesar de todas as falhas e insuficiências que afligem a instituição das Forcas Armadas, se mantiveram fiéis a essa instituição histórica nascida do sangue do povo e de tantos heróis filhos deste povo, esses sim, reúnem condições para tomar o lugar daqueles que o peso da idade e de décadas de sacrifício aconselham à reforma.

Mas, por outro lado, apelo ao senhor Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa e Segurança, ao Chefe do Estado-Maior General das Forças, e ao Comando da PNTL para abordarem com firmeza os problemas existentes nas Forças Armadas e na nossa polícia.

As nossas forças têm problemas de falta de incentivo aos seus efectivos, necessidade de mais formação, carência de infra-estruturas, de meios logísticos e de comunicações.

Os homens e as mulheres das duas instituições, a quem exigimos que defendam a lei, a ordem e a integridade do país, têm de ser tratados à altura do que lhes é pedido e de dispor dos meios correspondentes.

As exigências que fazemos às duas instituições são maiores do que aquelas que o país faz a outras instituições do Estado.

O Ministério de Defesa e a chefia das Forças Armadas devem ser firmes na solução dos problemas que persistem na instituição, designadamente de ordem disciplinar, má gestão dos recursos existentes e utilização indevida de meios e propriedades do Estado.

Além dos problemas relacionados directamente com a segurança, Timor-Leste tem à sua frente outros desafios importantes. O mais urgente é o da ponderação dos meios financeiros disponíveis para o combate à pobreza.

Caros Senhores e Senhoras,

Como membro do I Governo Constitucional, orgulho-me da Lei do Fundo do Petróleo e do mecanismo criado para o seu funcionamento. À época, foi uma solução inteligente, séria e transparente.

Mas as circunstâncias mudaram. O Fundo de Petróleo, presentemente, só beneficia o tesouro dos Estados Unidos, a troco de uma remuneração de capitais muito insuficiente. Essa remuneração, aos níveis actuais, aliada à desvalorização do dólar - que reduz para cerca de 50% o poder de compra do dólar -, já nos fez perder centenas de milhão de dólares.

A grande crise financeira e alimentar mundial que vivemos, associada à subida do preço dos combustíveis e dos alimentos de primeira necessidade, está a afectar milhões de pessoas em todo o mundo e, em Timor-Leste, ameaça agravar perigosamente os índices de pobreza se nada for feito para mudar a situação.

Por isso, o Governo deve iniciar diálogo com as bancadas da oposição, para alterar a Lei do Fundo de Petróleo, de maneira tão consensual quanto possível.

É vantajoso para o país aproveitar os recursos de conhecimento e de experiência do líder da oposição, Dr. Mari Alkatiri, e de outros respeitados ex-ministros, como o Eng. Estanislau da Silva, Dra. Ana Pessoa, Dr. José Teixeira. São patriotas timorenses com profundo conhecimento do dossier do petróleo e também sentem a dor dos pobres.

A reforma do Fundo de Petróleo é indispensável para apetrechar o nosso Estado para as suas grandes prioridades: o combate à pobreza e o impulso do desenvolvimento sustentado, criador de emprego para os nossos jovens.

O combate à pobreza, e o reforço da coesão nacional e social são duas faces do mesmo dever do Estado timorense – promover o desenvolvimento da nossa sociedade e consolidar as instituições.

Excelências,

Para concluir, quero lançar um desafio a todas as forças políticas, para o diálogo e para o entendimento. Estou convicto de que é possível construirmos a paz à volta das prioridades mais importantes do país e cultivar o entendimento político para afastarmos de nós a pobreza. Acreditarmos em nós mesmos, no melhor que cada um tem dentro de si, é, afinal, o verdadeiro desafio.

A Presidência da Republica, para celebrar a Fé e renovar a Esperança nos Timorenses, vai decretar, no dia 20 de Maio, um amplo perdão que beneficiará todos os condenados a penas de prisão que tiverem bom comportamento prisional. Rogério Lobato será um, de entre os mais de 80 beneficiários do indulto presidencial.

Saber perdoar é uma virtude que nós precisamos de cultivar no nosso coração, bem como sermos humildes e estarmos atentos aos sentimentos dos nossos irmãos. Vamos consagrar o dia em que foi restaurada a nossa Independência Nacional, como o Dia do Perdão e da Clemência entre os timorenses. A Presidência da Republica conta com todos para a reconstrução da Paz e do Desenvolvimento na nossa Pátria amada Timor-Leste.

Excelências

Conheci o valor da dor e da angústia. Senti a vulnerabilidade cruel da realidade humana. Esta experiência leva-me a compartilhar de uma forma humana a vulnerabilidade do meu povo. Mas os acontecimentos também confirmaram, sem qualquer dúvida, que o Estado é capaz de funcionar em tempos de crise. Nós não somos um Estado falhado.

Depois do 11/2 nada é igual. Mudámos a página da história de Timor-Leste. Deus não dividiu o Mar Vermelho perante os Israelitas até a água chegar aos seus narizes.

Estamos no cruzamento onde, enquanto povo de Deus, somos chamados a escolher entre uma dura vitória ou uma simples derrota. Na Bíblia há uma injunção para escolher a vida em vez da morte. Deus disse a Moisés: “Dou-te a escolher entre a vida e a morte, a bênção e o pecado; portanto escolhe a vida.”

O profeta Jeremias recorda-nos que a vontade de Deus é para fazermos “boas acções, justiça e firmeza na terra” (Jer 9:24). E o profeta Isaías disse: “Aprende a praticar o bem, defende a justiça, ajuda os oprimidos, protege os direitos dos órfãos, defende a causa das viúvas” (Isaías 1:17).

Temos a nossa terra graças ao sacrifício de muitos que deram as suas vidas, e de muitos outros que ainda hoje se encontram marcados pelas cicatrizes da guerra e da tortura. Temos a nossa terra, e é nossa para valorizar e proteger. Temos um lugar no palco do mundo como o primeiro Estado criado neste milénio. Temos uma terra que, pela graça de Deus, é nossa para amarmos e protegermos. Temos uma terra construída em altos princípios dos direitos humanos e do direito internacional.

Mas quase que estivemos para a destruir: não somente pelos atentados de 11 de Fevereiro contra duas importantes instituições da nação, como também contra o povo que diariamente luta para sair da pobreza, falta de alimentos, enfraquecido, desempregado.

Recuperamos, através da luta de libertação que custou a vida de muitos irmãos, a terra prometida do povo Maubere, mas desde então perdemos o sentido com violências que custaram a vida de muitos sobreviventes às atrocidades da ocupação. E nós, que fomos escolhidos pelo povo para construirmos uma nação democrática com respeito pela dignidade humana e pelos direitos humanos, estamos preocupados com o poder dos partidos, em vez do poder do povo.

Se nós hoje revisitarmos os nossos ideais, os ideais que inspiraram a nossa luta pela independência e liberdade, seremos de novo chamados a resistir a forças destrutivas.

Para ganharmos a liberdade que é nossa, com o nascimento desta nação, devemos diariamente resistir aos poderes internos que destroem ou desvalorizam a grande vitória.

Precisamos de resistir a qualquer tendência: ao abuso do poder, para desvalorizar em vez de construir; à corrupção a altos níveis; à cultura da violência; a qualquer tentativa de colocar os interesses dos partidos acima dos valores comuns do povo e da nação; à cultura da impunidade que esquece a necessidade de verdade e justiça de parte das vitimas; a um espírito de pessimismo, ou mesmo de cinismo, que aceite o status quo em vez de lutar para valores mais elevados como a reconciliação e paz. Devemos resistir ao espírito derrotista.

Que Deus Todo-Poderoso e Misericordioso nos Abençoe.